Era coração, aquele escondido pedaço de ser onde fica guardado o que se sente e o que se pensa sobre as pessoas das quais se gosta?
Devia ser.
Para tornar mais fácil o desenrolar do pensamento, ela concordava.
E argumentava de si para si, lembrando músicas e poemas vagamente vulgares que falavam em coração:
pois se alguém fazia uma música ou um poema forçosamente devia ser mais inteligente do que ela, que nunca fizera nada.
Alguém mais inteligente certamente saberia o lugar exato onde ficam guardadas essas coisas.
Coração, então, repetiu para si, consumando a descoberta.
(Caio F. Abreu) 

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